| O Google e os métodos da Abril |
| Escrito por F. A. Barros | |
| Qua, 25 de Agosto de 2010 21:00 | |
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Estive a ler o blog “Na linha do Google” da revista Info da Editora Abril, e pela leitura dos títulos das postagens se tem a impressão de que o Google é constituído por uma trupe de gente incompetente. Não é algo incomum criticar o Google. Isto se deve em grande medida ao fato dele ocupar uma posição de preponderância, melhor, hegemonia na web. É o maior e melhor sistema de buscas da internet. E oferece outros serviços muito superiores aos da concorrência em alguns setores. Quem usa Gmail ou o Blogger tem uma dimensão precisa disso. No entanto, como toda corporação, o Google não é dominante em todos os setores que se aventura. Mas no seu métier originário, que é busca na internet, o é. Sem dúvida alguma. Mas o que me deixou realmente curioso no blog da Info sobre o Google é o volume e amplitude das críticas, especialmente por serem originadas de um grande órgão de mídia, a Editora Abril. O blog possui dez postagens por página, visitei até a quarta página. Vi quarenta textos e li boa parte deles. Desses quarenta, onze são bem críticos ao Google (mais de 25%), denotando que alguns serviços ou produtos são ruins, ridículos ou puro fracasso. Vejam alguns deles:
Para além de tudo isso, é exemplar também como um blog sobre o Google repercute notícias negativas da concorrência, coisas como “De olho no Google, Apple elogia Microsoft”, “Em novo anúncio, Yahoo! ataca Google” ou “Microsoft faz piada com o novo Google Docs” e tudo isso num blog dedicado ao Google. Ora, mas se é dedicado a ele ou se está na linha dele, porque não se fala tanto dos produtos do Google? Por exemplo, em Google, o amigão do vírus, é claro que o motivo do Google ter mais problemas é o fato de ter mais audiência e, mais importante, exibir mais resultados. Se eu procuro por “tecnologia” no Google, ele diz que está a exibir em 262 milhões de resultados; o Yahoo, diz que está mostrando assombrantes 1,1 bilhão; o Bing, 20,7 milhões de resultados. Só que há um problema: o Google tem quase dois terços das buscas na internet, 62,6%. O Yahoo, 18,9%; o Bing, 12,7%. Então quem vai apresentar mais resultados problemáticos? Aquele que tem maior audiência. E os problemas relatados pela pesquisa citada pelo blog apontam resultados problemáticos que se encaixam na audiência de cada um dos buscadores: Google, 69%; Yahoo, 18%; Bing, 12%. Mesmo assim, para o blog “Na linha do Google”, a Microsoft está fazendo um bom trabalho. Dos três, o serviço da Microsoft tem a menor fatia de mercado e não exibe sequer 10% dos resultados do Google. Excelente trabalho. E uma coisa interessante. Se algo sai publicado no Twitter, o Google, demora 1,2 dia para ter ele indexado e mostrar nos resultados de buscas; o Bing demora 4,3 dias e o Yahoo, 4,8 dias. Parabéns Bing. Congratulações ao Tio Ballmer e ao pessoal do Yahoo. Enfim, a “notícia” deveria ter apontado que, apesar de mostrar mais resultados problemáticos, tais resultados estão relacionados à audiência de cada sistema de buscas. Mas não, ela mascara esse dado. E, pior, não fala da morosidade com que Bing e Yahoo indexam o conteúdo da internet. A notícia era contra o Google. Mas se você ler a pesquisa, vai notar que a concorrência está bem atrás do Google e, pior, se fosse para publicar algo, seria algo favorável ao Google. O que o Maurício Moraes faz? Esconde o principal — e que pode ser facilmente desmentido, como eu fiz aqui — e o que era pra ser uma notícia, vira um mero factóide. Até parece o Diogo Mainardi falando do Lula. Pífio. Resultados da pesquisa por tecnologia
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